sexta-feira, 8 de abril de 2011

Transporte Público é a Solução. Mas Cansei de Esperar por Ela.


O trânsito da grande Florianópolis chegou a níveis insuportáveis. O acesso à ilha então, nem se fala: quem precisa se deslocar para Florianópolis de manhã cedo, invariavelmente tem que penar em alguma fila.
Pensando nesse problema, vão começando a surgir propostas mirabolantes de solução. Uma terceira ponte, um túnel, uma mega obra aqui, outra ali, e o público “carrófilo” saltitando de alegria e sonhando com o dia da inauguração das mesmas para se livrar desse sufoco.
Parece que tanto as autoridades quanto os entusiastas dessas idéias ignoram ou desconsideram um fato de extrema importância: o fato de Florianópolis estar localizada em uma ilha. Uma ilha rodeada não só de água, mas de um continente próximo em fase de expansão urbana sendo ocupado por pessoas de significativo poder aquisitivo, e que como todo bom brasileiro “adora carro”.
Se o crescimento urbano e populacional continuar no mesmo patamar, em pouco tempo não haverá ponte ou túnel que dê jeito nessa situação e tudo voltará à estaca zero.
Mas porque será que o bom brasileiro que mora em Florianópolis e entorno adora carro? Será que é só ostentação, gosto de dirigir, liberdade de escolha ou teria um “algo mais” por detrás dessa questão?
É incontestável que existe (ou melhor, não existe) o fator educação por detrás da situação. O individualismo impera e a lei de Gerson nunca foi tão obedecida à risca, logo, a solução para o problema é: cada ser maior de dezoito anos que habita um lar ter seu próprio carro.
O outro lado da moeda, porém, é que mesmo aqueles que tem consciência do problema e querem colaborar fazendo sua parte são penalizados com um sistema de transporte coletivo ruim e caro.
Os horários de ônibus até que são razoáveis, mas não são dimensionados, não dão conta da demanda em horários de pico. No bairro Kobrasol onde moro, por exemplo, o transporte “executivo” é uma piada.
O ônibus, que oferece itinerário diferenciado, passando por ruas do centro e beneficiando quem tem que se deslocar para esses pontos, simplesmente passa lotado e não para. Por quê? Porque passa primeiramente dentro de Campinas, enche, e depois quando passa pelo Kobrasol não tem capacidade para mais ninguém.
Em vez de ficar só xingando como todos fazem no ponto de ônibus, cansei de enviar e-mails para a empresa, falando e questionando o porquê  não só de o executivo não parar, como também do fato que ele vive quebrando. Pode? Um ônibus dito executivo em péssimo estado de conservação? Pode! Até hoje nada mudou.
Resta pegar o ônibus convencional, lotado, apinhado, que fica parado na fila e ficar em pé quase uma hora para realizar um trajeto de menos de dez minutos.
Isso que moro no Kobrasol e trabalho no centro. E quem tem que ir mais longe e depende da tal “integração”? Olhe, eu passo trabalho, mas desses eu tenho pena.
Até hoje privilegiei o transporte público por questões ecológicas, sociais e tudo mais, mas cansei. Vou tirar mais uma moto da garagem porque a coisa ficou insustentável. Acordo cedo para pegar o executivo que passa lotado, e acabo perdendo preciosos (e não poucos) minutos esperando por um outro ônibus que me chega lotado e vai ficar invariavelmente parado na fila e mais uma vez vou me atrasar para o trabalho.
Sim, eu dou preferência para o transporte público sempre que posso, mas quero ser tratada com respeito, quero um mínimo de conforto sim, afinal pago caro pelo serviço, pago uma das tarifas mais caras do país.
Eu, motociclista, “bola-de-fogo, imprudente, inconseqüente, vida loka” ou o que mais me queiram rotular, prefiro encarar os motoristas que acham que as vias são só deles e dia após dia jogam seus carros para cima da gente para depois nos por a culpa, estou preferindo arriscar a virar estatística a ter que viajar como gado confinado e maltratado dentro de latões apertados e lentos.
Acho necessárias as campanhas de conscientização para os motociclistas, mas cadê as campanhas de conscientização dos motoristas em relação aos motociclistas? Apesar de pilotar devagar e dentro das normas, cansei de sofrer verdadeiras “tentativas de homicídio” no trânsito. O motorista vê, mas não se importa, afinal é só uma moto mesmo, é um motociclista a menos para incomodar...
Sabem quando vai terminar essa guerra e essas filas? Quando tivermos oferta de transporte coletivo decente, quando formos solidários e aprendermos que se dermos carona para três que usam carro, são três carros a menos na fila, quando esse transporte for bom o suficiente para fecharmos o centro para os carros e ali só circularem microônibus a preços acessíveis (ou quem dera, gratuitos).
Isso é mais barato que construir novas pontes e duplicar novas vias, que logo estarão novamente entupidas. E economiza vidas.

1 comentários:

Getúlio disse...

Infelizmente o transporte coletivo público foi privatizado, onde empresário tomaram posse do setor e com seu autoritarismo impões um transporte inadequado e defasado para atender a população.
Não sei em Florianópolis, mas aqui em Brasília, falávamos de boca cheia que não tínhamos engarrafamento, mas o mal da cidade grande chegou até nós, onde praticamente para mais de 2 milhões de habitantes, na média temos um carro para cada cidadão. O transporte coletivo não existe e o que existe é irrisório para atender a demanda.