terça-feira, 18 de novembro de 2008

ONDE SÓ OS CHATOS TEM VEZ...

Existem basicamente três tipos de chato: o que não sabe que é, o que sabe que é, e o que precisa ser chato.

O chato é um ser irritante, portanto é um martírio para o ser que não é (ou que não sabe que é) ter que obrigatoriamente ser chato, tendo consciência de sua condição.

Quando um homo sapiens qualquer, se vê na situação de “homo consumidoris”, ele tem duas alternativas: não ser chato e levar gato por lebre ou se tornar um porre e levar, por direito a lebre que comprou.

Tudo começou em dezembro de 2007, quando resolvi me tornar motociclista. Procurei uma concessionária apenas para dar uma “namorada” e meia hora depois, com o cadastro aprovado, eu era a mais nova e feliz proprietária de uma intruder 125cc (continuo satisfeita com a motocicleta, antes que haja distorção da minha fala).

Mesmo quando eu morria de medo de moto, as customs exerciam um fascínio sobre mim, eu sempre dizia que um dia ia andar numa daquelas nem que fosse a 5 Km/h só para saber como era. Quanto mais customizadas, mais fascinantes, ou seja, é óbvio que ela já saiu da concessionária com alforjes, sissy-bar e mata-cachorro (aliás esse acessório deveria ter outro nome, detesto este).

A moto demorou mais de um mês a ser entregue. Tudo bem, eu não tinha carteira e falei na concessionária que sequer eu tinha pressa porque também não tinha local para guardá-la e bem no fim ia ficar pagando garagem para um veículo sem uso. O problema é que prometeram para o final de dezembro. Não veio. Começo de janeiro, não veio. Primeira quinzena de janeiro, nada...

Virou gozação porque os amigos chamavam para uma praia e eu dizia, olha não dá, neste fim de semana vão entregar minha moto. Ligavam na segunda: e aí, que tal a moto? Eu dizia: veja bem...

No final de janeiro, me ligaram dizendo que estava pronta, fui lá buscar. Olhei tudo, óbvio e – como sempre- achei um arranhado no encosto. Torci o nariz uns 20 graus para a esquerda e uns 35 graus para a esquerda, franzi as sobrancelhas e o vendedor entendeu o recado, ao que me respondeu: Veja bem... não tínhamos encosto disponível, colocamos um usado que a senhora poderá trocar na revisão dos 1000 Km. Pedi isso por escrito (chaaaaaaaaataaaaaaaa), disseram: o que é isso, não precisa!

Lá fui eu, feliz da vida!

Meu irmão andou com ela até que eu pudesse levá-la para a garagem, pois se a moto ficar parada um mês, dois, pode ter problemas. Depois disso, ficou duas semanas parada na casa do meu pai.

Quando fomos levar a moto para a minha casa, ela apresentou um vazamento de combustível pelo respiro. Meu irmão fez um saravá básico – sopra aqui, sopra ali, Epahei!!! - ela parou de vazar. Levamos para a garagem. Diariamente eu ia ligar e vez por outra dar uma voltinha sem carteira mesmo, para não deixar o combustível parado no tanque.

Seis meses depois, a revisão dos mil quilômetros. Levei a moto e falei do encosto (sissy-bar) que precisava ser trocado. Relatei que a moto morria muito e o problema do vazamento pelo respiro também. Perguntaram para mim na concessionária porque a moto havia saído com encosto usado, ao que respondi que a concessionária alegou que não tinha um novo e me entregaria assim para não atrasar ainda mais a entrega.

Peguei a intruder na concessionária e me disseram que fizeram uma limpeza de carburador, que este estava muito sujo e o encosto ficaria para a revisão dos 2.000 Km.

Nesse meio tempo, a moto começou a morrer sem ter hora nem lugar e sem a menor cerimônia, onde por bem achasse fazer isso.

Relatei o problema na revisão dos dois mil quilômetros, pedindo que olhassem o carburador com bastante critério, saí sem o encosto de novo, porque ainda não tinha e o problema voltou a ocorrer.

A gota foi num dia de chuva, a moto falhou em frente ao Shopping Itaguaçu, e chovia às turras. Um senhor veio delicadamente oferecer ajuda, inclusive com uma topic perguntando se eu não queria rebocar a moto até em casa, mas nunca, veja bem, NUNCA! alguém veio me socorrer sem fazer a clássica pergunta: mas a senhora botou gasolina? Será que porque entre minha caixa craniana e o capacete está uma cabeleira loira??? Deu até vontade de perguntar, oh! Mas precisa gasolina para andar??? Só que não deu, os pingos de chuva já atingiam o ponto de ebulição ao entrar em contato com minha cabeça e eu só conseguia pensar em formas de torturar um gerente de concessionária...

Consegui fazer a intruder pegar, fui até onde tinha que ir e na volta a moto morreu na saída do viaduto do Roçado. Deu, eu já estava com fome e ensopada que nem um pinto, não custava nada ir rosnar na concessionária. Fui até lá com o “demonho” no couro, depois de mais um tempo para fazer pegar de novo. Falei um monte e como a lei de murphy nunca falha, o mecânico ligou a moto e nada aconteceu. Disse para eu agendar uma ida para avaliar o problema.

Liguei agendando a verificação do problema e a troca do encosto e exigi que a moto fosse aberta na frente de meu mecânico de confiança: meu irmão. O gerente me perguntou – pasmem! – Por que a moto saiu da concessionária com encosto usado. Respondi: não sei, meu encosto agora são vocês e essa pergunta quem faz a vocês sou eu!!!

Sábado de manhã, chegamos à concessionária. Eu, meu irmão e minha cunhada. Fomos recebidos por um gerente com cara de dia das almas (se não era uma própria que estava me recebendo ali por conta dos saravás) e nos passou para um mecânico com cara de bruxa em tempos de inquisição. Aliás pareceu mesmo um tribunal de inquisição. O rapaz começou a desmontar o carburador com três olhando por cima do ombro (é um saco, coisa de chato profissional, mas eles pediram por isso). Desmontou o carburador e se picou para dentro da oficina. Meu irmão foi no encalço: Deixa eu ver isso aí cara!

Não foi surpresa o que ele encontrou: lixo no carburador, sujeira, limalha de ferro e uma agulha totalmente corroída, que por conta disso poderia trancar, tanto deixando passar combustível demais e afogando a moto, quanto vedar a passagem do combustível.

O mecânico pôs a culpa no combustível, sendo que estou abastecendo com podium desde a primeira revisão por recomendação deles mesmos (e do manual, claro).

A revisão dos dois mil tinha sido feita duas semanas atrás, ou seja, conclui-se também que o carburador não foi sequer aberto, mesmo depois de eu e meu marido termos relatado que o problema nos colocava em sério risco de vida. Em duas semanas também seria impossível juntar tanta sujeira num carburador só.

Fizemos pressão para trocar a agulha e recebemos a resposta de que só a limpeza seria suficiente, que não era necessário. Perguntamos a ele se seria necessário que um caminhão passasse por cima de mim para que a troca da peça fosse feita. Centenas de argumentos depois, conseguimos que a concessionária mandasse ao fabricante um pedido da garantia da peça, que foi trocada na revisão dos três mil quilômetros.

O encosto? Ah, esse foi trocado no mesmo dia em que exigi a abertura do carburador, um encosto novinho, reluzente, lindo. Deixei a intruder na garagem e na manhã seguinte amanheceu o encosto pintado de amarelo, porque o infeliz do dono da garagem resolveu pintar o portão e não teve a idéia de me ligar para tirar a moto de perto.

4 comentários:

Split!!! disse...

(sou Split da comunidade da Intruder e achei seu blog lá). PQP, que novela hein?? To até com medo das revisões, depois de tanta reclamação das concessionárias da Suzuki. Espero que esteja tudo certo agora. Adorei seu jeito de escrever ^^
=*

Drika disse...

Onde falei topic, leia-se uma van qualquer cujo nome não recordo neste momento, isto que dá postar sem revisar o texto :P

Rick disse...

Nossa, gostei do texto.
Ah, sou o Rick da comunidade [o que fez a compraração mulher X moto heh]
De boa, aquela pergunta sobre "se tem gasolina" é reação quase automatica, é comum as pessoas perguntarem isso primeiro na esperança de ajudar idependente do sexo ou da cor do cabelo, isso é mais pscicologo mesmo. Agora sobre o nome "mata-cachorro" na verdade ele também é conhecido como "protetor do carter" ou "protetor do motor", se não em engano, o mata-cachorro surgiu junto com o "cahorro louco". ahahahah

Katya disse...

entãoooooo... será que terei briga pela frente? juro, detesto isso, mas tô pressentindo que o caminho será este mesmo! ô meu pai, obrigada viu! ah tb tenho blog, mas é bem íntimo: http://muitoparticular.zip.net/ Divirta-se com minha minha vida e meu livro sempre aberto, dores amores, família e muita vida!!!