"Apenas os educados são livres."( Epitectus)
*José Álvaro de Lima Cardoso
**Moacir Pedro Ruribini
O Brasil, como se sabe, é um dos países mais desiguais do mundo. Tal desigualdade reduziu um pouco nos últimos anos, em função dos aumentos dos ganhos reais do salário mínimo, da geração de empregos formais e das transferências governamentais para programas sociais. Mas é ainda muito elevada. Um dos elementos fundamentais entre as causas da desigualdade brasileira reside na desigualdade no acesso à educação. Segundo pesquisas, a chance de um filho de um pai com menos de um ano de estudo repetir a escolaridade do pai é muito alta: 34%. Além disso, a probabilidade desta criança fazer o ensino superior é de apenas 1%. No outro extremo, uma criança cujo pai tenha o ensino superior, tem 60% de probabilidade de obter também um curso superior. Aqueles em melhor condição financeira, portanto, têm enorme vantagem em termos de aproveitamento das oportunidades do mercado de trabalho, o que acaba perpetuando a desigualdade social.
Esta desigualdade no acesso a educação é especialmente grave em um país que paga um prêmio elevado à escolaridade. Em média, um ano a mais de escolaridade no Brasil representa um acréscimo no salário de 15%. Para efeitos comparativos, nos Estados Unidos este percentual é de 10%. No nível superior, este prêmio é ainda maior no Brasil, chegando a 18,7% em média para cada ano de estudo.
A desigualdade decorrente do acesso à escolaridade se manifesta, além do rendimento, também nas oportunidades de obtenção de emprego. Segundo pesquisa do DIEESE, a taxa média de desemprego em São Paulo em 2006, do trabalhador com apenas o ensino fundamental completo foi de 19,4%, enquanto que para o trabalhador com ensino superior completo esta taxa está em 5,8%, extremamente baixa para os padrões brasileiros. Nas demais Regiões Metropolitanas onde o DIEESE realiza a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), este mesmo padrão se repete.
Há forte correlação entre o nível educacional de uma população e o crescimento do país. Atualmente em quase todas as tarefas o trabalho envolve, em algum grau, trabalho intelectual. Assim, quanto mais escolarizado o trabalhador maior a facilidade para absorção de novas tecnologias, base do crescimento econômico nos dias atuais.
Mas os benefícios de uma maior educação não se circunscrevem à produção econômica, obviamente. Uma população escolarizada pode exercer mais plenamente os seus direitos políticos e de cidadania de uma forma geral. Vários estudos comprovam que a escolarização também reduz os indicadores de criminalidade: a conclusão do ensino médio reduz significativamente a probabilidade de o jovem cometer crime contra as pessoas e o patrimônio.
Aqui no estado, a exemplo do que ocorre no Brasil, cerca de metade dos desempregados são jovens que estão entre 16 e 24 anos. O fenômeno decorre de várias causas, com destaque para a falta de experiência profissional e baixa escolaridade. O maior acesso à educação ao jovem menos favorecido economicamente irá tornar um pouco mais justa a disputa por um espaço no mercado de trabalho, já que são indiscutíveis as relações entre escolaridade e capacidade de obter e se manter em um emprego. Na medida em que um jovem trabalhador se escolariza, ele melhora a sua capacidade de obter um emprego e desenvolver um trabalho mais sofisticado, absorvendo inovação tecnológica, que é o segredo da produção com qualidade nos dias de hoje.
*Economista e Supervisor Técnico do DIEESE em Santa Catarina.
**Diretor da FETEESC – Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de SC.
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