segunda-feira, 2 de julho de 2007

CARTA AOS ESTUDANTES

Sobre o caso de um aluno da UFRGS que se recusou a assistir aulas de anatomia onde ainda é utilizado o método arcaico da vivisecção e teve seu direito garantido, após briga judicial, a qual transcrevo:

MOVIMENTO GAÚCHO DE DEFESA ANIMAL

Já fomos melhores...


O recente caso do estudante Róber, aluno de biologia da UFRGS, que conquistou na justiça o direito de não assistir a aulas em que animais são usados e descartados apenas para “mostrar” o que todos já sabem, e já está fartamente documentado, traz à tona uma pergunta cuja resposta é cada vez mais urgente: o que está acontecendo com os estudantes de hoje?

Em outros (bons) tempos, as faculdades eram espaços de discussão, locais onde idéias novas brotavam espontaneamente. Onde se buscava e defendia o novo, discutia-se o “mais ou menos” e se rechaçava o arcaico, o obsoleto...

Dê uma ordem a uma criança do ensino fundamental e receberá, imediatamente, um “por quê?” como resposta... Belo exemplo a ser seguido. Ninguém é detentor absoluto do saber. Nossa obrigação é questionar, discutir, analisar e, só então, caso estejamos convencidos, aceitar como verdade que nos servirá por um determinado tempo (pois tudo é dinâmico... a vida é dinâmica, a ciência é dinâmica... as descobertas científicas são rapidamente substituídas ... a ética é que deveria ser atemporal... ).

Como pretendemos ser estudiosos ou cientistas se negamos aquilo que não conhecemos? Se não investigamos o que está sendo apresentado como “novo” (nesse caso nem tão novo assim...)? Preferimos seguir programas de disciplinas utilizados semestre após semestre, durante anos, décadas... Professores que não se atualizam e, a cada novo ano, buscam seus velhos e “crônicos” planejamentos de aula e os aplicam. Por quê? De onde vem essa resistência à verdade e esse apego pelas coisas “pré”... decididas, estabelecidas e planejadas? E tudo isso dentro de uma Universidade, onde deveria estar sendo exercitada a construção coletiva, a participação nas decisões importantes, nas escolhas... Onde, infelizmente, foi esquecido o verdadeiro sentido da palavra “Democracia”.

E pior... pela negação à busca da informação, e pela relutância em pelo menos “saber”, tem muita gente por aí defendendo o que nem imagina ... servindo de massa de manobra para a manutenção de uma estado de coisas que traz lucros para alguém... isso é certo. Se não houvesse interesse econômico, não haveria a defesa radical de algo já ultrapassado e obsoleto... esses interesses vão desde a indústria da cobaia (milionária, diga-se de passagem) à poderosa e avassaladora indústria da doença, protagonizada pelos grandes laboratórios farmacêuticos. ..

Não se iludam... quando há uma ferrenha defesa de algum ponto já ultrapassado na história, ela se baseia na ignorância, na acomodação, na mediocridade ou na manutenção do poder econômico, que explora a ingenuidade e a passividade da maioria.


mluiza

MOVIMENTO GAÚCHO DE DEFESA ANIMAL

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