quarta-feira, 27 de junho de 2007

V CONGRESSO NACIONAL DO MST: ALGNS APONTAMENTOS


Em janeiro de 1985, um ano após a sua fundação, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reuniu em seu primeiro congresso 1.500 trabalhadores e trabalhadoras na cidade de Curitiba/PR, com o lema: “Sem reforma agrária não há democracia. Ocupação é a única solução: Terra para quem nela trabalha”.

Assim, a cada cinco anos os congressos iam se repetindo, e cada conjuntura ditaria os temas a serem discutidos: “Ocupar, resistir e produzir”, “Reforma Agrária, uma luta de todos”, “Por um Brasil sem Latifúndio”, até chegarmos ao 5º Congresso Nacional do MST, cujo tema foi “Reforma Agrária: Por justiça social e soberania popular”, realizado de 11 a 15 de junho de 2007 em Brasília/DF.

Segundo a organização do evento, este contou com a presença de 17.500 pessoas. Se no primeiro congresso haviam 1.500 trabalhadores e trabalhadoras, no quinto 1.400 eram apenas as crianças, que tiveram tratamento especial, participando de atividades na Escola Itinerante Paulo Freire, espaço dedicado à formação destas enquanto os pais participavam das atividades do congresso.

As atividades incluíam místicas (a mística é uma forma de repassar e manter vivas a história e os ideais do movimento, tanto dentro do próprio quanto para os que não pertencem a ele, através de teatro, música, representações, símbolos), plenárias, debates, troca de vivências.

Os participantes do congresso ficaram acampados num estacionamento ao lado do Estádio Mane Garrincha, em lonas, barracões e barracas, divididas por estados e em brigadas. Havia responsáveis por alimentação, saúde, cultura, limpeza e a organização foi realmente um dos fatores mais espantosos, pois para se ter uma idéia, a marcha dos trabalhadores e trabalhadoras colocou 7 km de gente enfileirada em quatro colunas quando da ida ao Palácio da Alvorada, e não havia filas para a alimentação e filas para banho e banheiros mas bem organizadas e isso também era limitado pela estrutura local.

Produtos confeccionados em acampamentos e assentamentos do MST também estavam em exposição na feira, que iam de produtos naturais, sem agrotóxicos até artesanato, sabonetes, instrumentos musicais, além de grupos musicais de rap, samba, maracatu.

Costumamos relacionar a reforma agrária com distribuição de terra apenas e talvez, recursos para o homem do campo como maquinário e insumos, mas a proposta de reforma agrária do MST é revolucionária e ousada.

A reforma agrária por eles proposta engloba qualidade de vida para todos. Era visível essa preocupação ao circular pelas enfermarias e ver a utilização de tratamentos naturais, a preocupação com a ecologia e sustentabilidade, foi montado um pequeno “cyber” onde se divulgava a utilização de softwares livres e que possibilitou a inclusão digital.

Dentro da programação das plenárias, discutiu-se conjuntura internacional e nacional, o agronegócio, a reforma agrária, os desafios do MST e no ultimo dia foi realizada a grande marcha que antes de chegar ao Palácio da Alvorada, deixou seu recado em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra investe maciçamente na educação de seus participantes, sejam eles jovens, crianças ou adultos. A meta é erradicar o analfabetismo no campo e formar técnicos, médicos, enfermeiros, gestores de cooperativas, tanto no Brasil, como trocando experiências com países como Cuba, Venezuela e Haiti, por exemplo.

Hoje o grande inimigo do trabalhador do campo é o agronegócio, que é capaz de juntar o atraso das relações de exploração no campo à tecnologia que desemprega. O agronegócio também provoca devastação ambiental, outra grande preocupação dos participantes do congresso.

O capitalismo, de acordo com a avaliação de Isabel Rauber, uma das expositoras, apesar de se perpetuar enquanto sistema, está fracassado moralmente, diante da miséria e sofrimento que tem criado aos que estão à sua margem, e a vitória sobre esse sistema não virá das autoridades e sim do poder popular de acordo com outros expositores.

O SINERGIA enviou três representantes para o 5º congresso do MST, mas o que exatamente eletricitários tem a ver com agricultores sem terra?

De acordo com Roseli Caldart,[1] “como características principais do MST, são o fato do MST ser um movimento popular, onde não precisa necessariamente ser agricultor para fazer parte dele. Trata-se de um movimento de famílias sem-terra, onde qualquer pessoa que abrace a causa pode participar, que sempre entendeu que para lutar pela Reforma Agrária não é preciso ser necessariamente um camponês.

Nós, trabalhadores urbanos do SINERGIA assim como tantos outros trabalhadores urbanos presentes no 5º congresso do MST, viajamos até Brasília, porque também sonhamos com uma reforma agrária por justiça social e soberania popular.

Hasta Siempre!



* Foto: Cleiton Araújo.


[1]Pedagogia do Movimento Sem Terra. Escola é mais do que escola. 2 ed. Petrópolis. Ed. Vozes. 2000.

1 comentários:

Bianca Zoca disse...

dae muié! tomou banho de balde é? escreve aí como foi o evento do teu ponto de vista. Suas experiencias de acampada. To curiosa...hehe
bjos